Casarão da Fazenda do Brigadeiro é fechado de forma temporária devido problemas estruturais


O casarão da Fazenda do Brigadeiro, localizado no setor Norte do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, em Araponga, Minas Gerais, foi fechado de forma temporária no início desta semana, devido problemas estruturais, segundo informações do Instituto Estadual de Florestes (IEF). Em 2002, o imóvel foi tombado como Patrimônio Histórico e Cultural do município. Com aproximadamente 80 anos, o casarão guarda grande valor histórico, cultural e turístico para região da Zona da Mata mineira.


Conforme a assessoria de comunicação do IEF, a Casa do Brigadeiro encontra-se com problemas estruturais, e, a fim de resguardar a integridade física dos servidores e visitantes, o imóvel foi fechado. "A decisão teve caráter de urgência e é temporária. O assunto será levado para discussão do conselho consultivo do Parque, em reunião extraordinária marcada para o próximo dia 8 de abril". O Instituto lembra que a unidade de conservação encontra-se fechada para visitação devido à Onda Roxa estabelecida pelo governo de Minas, dentro no Plano Minas Consciente.


O fechamento repentino causou desconforto entre o Parque e a Secretaria Municipal de Cultura, Meio Ambiente, Turismo, Esporte e Lazer e o Conselho responsável pelos bens tombados de Araponga. O secretário da pasta, Agnaldo de Paula, diz que não recebeu nenhum comunicado sobre a necessidade e decisão do fechamento do casarão. “Não recebi comunicado, ninguém me procurou. Inclusive, há meses fiquei sabendo que eles estavam com a intenção de fechar, comuniquei direto com a gerente do Parque que me disse que isso era mentira e que esses tipos de assunto eram para tratar diretamente com ela. No entanto, a mentira vem da parte dela que fechou sem nos dar nenhuma informação”, se indigna.


Além de secretário, Agnaldo de Paula também é o presidente do Conselho responsável por tratar de assuntos relacionados aos bens tombados do município. Ele destaca que para qualquer intervenção ou decisão que seja tomada a respeito dos patrimônios tombados da cidade, o conselho deve ter conhecimento. “O Conselho também não recebeu comunicado. Estamos providenciando um ofício solicitando informações à gerente do Parque sobre o assunto”, destaca o secretário.


Fotos foram tiradas no final de fevereiro de 2021 e mostram problemas estruturais do imóvel Créditos: Ulisses Lens


Verba para restauração da Fazenda


Ao ser questionada sobre o recurso de verba indenizatória da Anglo American, que seria destinada à reforma do Casarão da Fazenda do Brigadeiro, a assessoria do IEF respondeu que o assunto está em análise pelo órgão. Já em relação à segurança do local, o “Instituto informa que serão instalados no espaço equipamentos de monitoramento e as atividades de monitoramento presencial pelos servidores da unidade de conservação continuarão ocorrendo ordinariamente”, complementou.


História da Fazenda do Brigadeiro


Tem-se notícias que por volta do ano de 1805, um militar inspetor de Lavras, denominado Brigadeiro Antônio Dias Coelho, tornou-se proprietário de grande gleba de terras na região montanhosa do Estouros. As serras em que aquelas terras estavam contidas passaram a chamar-se Serra do Brigadeiro. Em 1942, essas terras passaram a ser de propriedade do Sr. Pedro Dutra, outro militar, que residia em Juiz de Fora. Nesse mesmo ano iniciou-se a construção da hoje Fazenda do Brigadeiro. Anos depois, essa fazenda foi vendida para um "tal Salgado", que anos depois vendeu para o sr. Rubens Peres.


O primeiro dono ocupou da exploração de ouro, nos cursos d'água da região das serras, tendo inclusive uma dessas comunidades, o nome de Córrego do Ouro. O sr. Rubens Peres fez importantes extrações de madeira de lei e produção de carvão para Cia Belgo Mineira, o que destruiu importantes áreas nativas da Mata Atlântica com enormes perdas para fauna e flora. Essa destruição se deu nas décadas de 60 e 70 do século passado. A sede dessa fazenda, inserida nesse contexto histórico dessas terras é o panteão de uma história que se completa com a história do próprio município e região.


Em 2002, a fazenda foi tombada como Patrimônio Histórico e Cultural do município de Araponga. A fazenda possui, aproximadamente, 80 anos, está localizada ao Norte do Parque do Brigadeiro, com várias trilhas em seu entorno. Foi proibido trilheiros de moto, devido a degradação e impactos causados à natureza. É possível iniciar uma dessas trilhas a partir da fazenda e sair na cidade de Matipó, através de caminhada ou bike.

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